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REFORMA PROTESTANTE

 

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso pela fé, a esta graça, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus” (Romanos 5.1-2).

Somente a fé: “Justificados, pois, pela fé”.

Ao contrário do que o catolicismo professava, a reforma vindicava que somente pela fé o homem será salvo. 
Ref: Hb 10.39; Rm 1.16,17; Jo 6.54-56.


Somente Cristo: “Temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo".

Somente Cristo é o mediador entre Deus e os homens, somente através de seu sacrifício substitutivo e em seus méritos os homens serão salvos, a igreja não é medianeira, os santos não são intercessores isso cabe somente ao cordeiro de Deus.
Ref: Jo 1.29; 1 Pe 1.19-20; 1 Tm 2.5; Ef 5.23.


Somente a graça: “Por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso ela fé, a esta graça".

A reforma afirmava enfaticamente que somente pela graça o homem poderá ser salvo dos seus pecados, somente Deus, graciosamente agindo no homem, retira dele o coração de pedra e lhe dá um coração de carne. A igreja Católica afirmava que a igreja era a doadora da salvação, o grande levante de Lutero em relação às indulgências que João Tetzel estava apregoando, portanto o compromisso reformado era escriturístico, o que a Palavra dizia sobre a salvação. 
Ref: Ef 2.8; Ez 36.26; Jr 31.31-33.


Somente a Deus glória: “E gloriemo-nos na esperança da glória de Deus”.

Somente a Deus a Glória na igreja e em toda criação, o grande motivo da existência da igreja é  a glória de Deus.
Ref: Rm 11.33-36


Somente a Escritura: "Porque todo este ensinamento se encontra suficientemente na Escritura".

Em contra partida ao ensino da igreja Católica Romana, a reforma afirmava que somente a escritura era a autoridade da igreja (Sola Scriptura), que não era o poder do papa ou a tradição da igreja que eram as maiores autoridades, mesmo ao lado da escritura, a reforma afirmava categoricamente Somente a Escritura é a autoridade da igreja, e por ela a igreja é governada.
Ref: II Tm 3.16,17; Gl 1.8; 1 Jo 5.9.

 

 

"O justo viverá pela sua fé"

O texto de Romanos 1:17 foi fundamental para que surgisse a Reforma Protestante no Século XVI. 
 

Quando Martinho Lutero leu essa passagem das Escrituras, foi convencido de que nossa justificação não se dá através das boas obras, mas sim através da fé. Inicialmente, 'Reforma Protestante' foi um termo pejorativo empregado pelos católicos romanos à aqueles que protestaram contra o sistema religioso da época, mas esse termo foi assimilado e usado a partir do século XVI até nossos dias para designar os grandes fatos vividos pelos que desejavam e desejam pautar sua vida religiosa segundo a Bíblia.
 

Que foi a Reforma Protestante?

Dependendo do ponto de vista, poderíamos ter vários conceitos. No entanto, consideramos a Reforma como um movimento de retorno aos padrões bíblicos do Novo Testamento. Isso expressa a realidade da "Reforma Protestante", pois tudo que se fez tinha a finalidade de levar as pessoas a se aproximarem de Deus através de um relacionamento profundo com Ele.

 

Por que aconteceu a Reforma Protestante?

Alguns fatores contribuíram para que acontecesse a Reforma. Entre eles podemos destacar os seguintes:

 

a) As mudanças geográficas.  O século XVI foi a era das grandes navegações realizadas pelas superpotências Portugal e Espanha e, consequentemente, das grandes descobertas. Com isso o mundo não se limitava mais à Europa, mas o novo mundo trouxe novos horizontes de conquista e expansão.

b) Mudanças políticas. Surgem as nações-estados. A Europa começa a se fragmentar em países independentes politicamente uns dos outros. Surgem países como a Inglaterra, França, Espanha, Portugal, etc. Com isso é natural o desejo de cada governante de sentir-se livre de um poder central e dominador que era o papado.

c) Mudanças intelectuais. Há grandes transformações intelectuais com o surgimento dos humanistas cristãos, os quais tiveram um interesse profundo pelo estudo das Escrituras Sagradas e das línguas originais e começaram a fazer uma comparação entre o Novo Testamento e o que a Igreja Católica Romana estava vivendo. Entre esses humanistas podemos destacar Desidério Erasmo ou Erasmo de Rotherdan que influenciou os reformadores com o seu Novo Testamento Grego.

d) Mudanças religiosas. O autoritarismo da Igreja católica romana era insustentável. O catolicismo não satisfazia os anseios espirituais do povo que buscava uma religião satisfatória e prática, que respondesse às suas indagações e expectativas.


Onde aconteceu a Reforma Protestante?

A Reforma aconteceu na Alemanha, mas logo, se espalhou para outros países como Inglaterra, Suíça, França, Escócia, etc. Em cada país podemos destacar um líder que levou avante este movimento.


Quando ocorreu a Reforma?

 

A partir do final do Século XII, começam a surgir alguns movimentos na Europa que pediam mudanças dentro da Igreja Católica Romana. Entre eles podemos destacar dois grupos:

 

Os valdenses com Pedro Valdo na Itália.

Os cataritas na França.

 

Também surgiram alguns homens que podemos considerá-los pré-reformadores como:

 

John Wycliff na Inglaterra, no século XIV, 1384.

John Huss na Boêmia, no começo do século XV, 1415.

Jerônimo Savanarola na Itália, no final do século XV, 1498.

 

A Reforma Protestante, no entanto, só aconteceu no Século XVI na Alemanha, quando o frade agostiniano Martinho Lutero afixou as 95 teses nas portas da igreja do castelo de Wittenberg. Era o dia 31 de outubro de 1517, véspera do dia de "todos os santos", quando milhares de peregrinos afluíam para Wittenberg para a comemoração do feriado do "dia todos os santos e finados", 01 e 02 de novembro. Era costume pregar nos lugares públicos os avisos e comunicados. Lutero aproveitou a oportunidade e, através de suas teses, combatia as indulgências que eram vendidas por João Tetzel com a falsa promessa de muitos benefícios. Ele dizia que, se alguém comprasse uma indulgência para um parente falecido, "no momento em que a moeda tocasse no fundo do cofre a alma saltava do inferno e ia direto para o céu".


Quais foram os principais reformadores?

 

Na Alemanha, Martinho Lutero (1483/1546).

Na Suíça, Huldreich Zwínglio (1484/1531) e João Calvino (1509/1564).


Quais foram as principais obras de Lutero?

Lutero expressa suas ideias através de três obras. São elas:

 

a) A Liberdade Cristã. Nesse livro, pregou que somos livres em Cristo. Negou nessa obra que somente o papa pudesse interpretar as Escrituras, mas que podiam ser lidas e interpretada por qualquer crente sincero.

b) Apelo à Nobreza. Aqui Lutero faz um apelo para o povo se unir contra a Igreja Católica Romana.

c) Cativeiro Babilônico da Igreja. Afirmava que a Igreja estava vivendo num cativeiro, assim como o povo de Israel esteve na Babilônia escravizado.


Quais eram as principais doutrinas defendidas por Lutero?

 

a) Justificação pela fé. Baseado nos ensinos de Paulo, ele ensinava que o homem não é justificado pelas suas obras, mas pela fé em Jesus Cristo.

b) A infalibilidade da Bíblia. Ele considerava a Bíblia infalível e acima de toda e qualquer tradição religiosa. Enquanto a Igreja Católica Romana defendia a ideia de que o papa era infalível e a Bíblia era sujeita à sua interpretação, Lutero afirmava que A Bíblia estava acima do papa, pois ela é a Palavra de Deus inspirada pelo Espírito Santo.

c) Sacerdócio de todos os crentes. Lutero negava o conceito que afirmava ter o papa poderes sobrenaturais como intermediário entre o povo e Deus. Ele defendia a ideia de que todo crente é um sacerdote e tem livre acesso à presença de Deus. Não precisamos de um intermediário, o único intermediário entre o homem e Deus é o Senhor Jesus Cristo.


Quais eram os princípios fundamentais da Reforma?

 

a) Supremacia das Escrituras sobre a tradição.

b) A supremacia da fé sobre as obras.

c) A supremacia do povo sobre o sacerdócio exclusivo.


Lutero foi vitorioso?

Sim. Apesar das tentativas para condenarem Lutero, o papa e o Imperador Carlos V não conseguiram. Quando foi convocado a comparecer ao concílio diante do imperador, ele expressou-se destemidamente da seguinte forma: "É impossível retratar-me, a não ser que me provem que estou laborando em erro, pelo testemunho das Escrituras ou por uma razão evidente. Não posso confiar nas decisões de concílios e de Papas, pois é evidente que eles não somente têm errado, mas se têm contraditado uns aos outros. Minha consciência está alicerçada na Palavra de Deus. Assim Deus me ajude. Amém".

 

Benefícios da reforma
- Trouxe a ciência, a educação;
- Acesso a educação pública (escolas públicas foram construídas para a população), universidades;
- A liberdade de expressão;
- Trouxe a separação entre a Igreja e o Estado;
- A Reforma Protestante enfatizou a importância do indivíduo como agente responsável diante de Deus e do mundo;
- Acesso às escrituras;
- A bíblia é o delimitador, quando fugimos disso, outras coisas tomam o lugar.

 

A Reforma trouxe algum tipo de problema?

A resposta é: Sim. Se formos analisar  algumas questões a fundo, perceberemos que a reforma permitiu que:


- A liberdade de expressão fizesse com que surgissem, já cedo, as divergências entre os próprios reformadores; 
- Alguns abusos relativos à violência e imposição de crenças;
- Com essa liberdade de expressão, surgiram várias igrejas e muitas delas pregando heresias, as quais muitos protestantes consideraram seitas e não igrejas;
- Diversas denominações continuam surgindo, uma de dentro da outra, por divisões e divergências, com um aumento considerável principalmente à partir dos anos 40;
- O surgimento da psicoterapia moderna deu-se em parte como uma reação histórica ao vazio criado na comunidade cristã pela tese de Lutero, quando na tentativa de combater um “erro” do pensamento católico (“que o sacerdote tinha poder para perdoar pecados”), foi para um polo oposto desta tese, advogando que apenas Deus tinha o poder para perdoar pecados, e consequentemente ouvir nossas confissões. Com isso, o cristão aprendeu a confessar os seus erros apenas para Deus. Hoje, quinhentos anos depois da reforma, a grande maioria dos evangélicos ainda não se permite confessar suas culpas “uns aos outros”, conforme nos ensina Tiago 5:16. Alguns agonizam com suas dores interiores e com seus traumas “ocultos”. Quanto mais distantes estivermos da confissão a alguém, mais necessitaremos da psicoterapia e da psiquiatria. Uma igreja terapêutica deve fomentar este ambiente onde os cristãos não apenas façam suas confissões a Deus, mas também “uns aos outros”. É a dimensão horizontal da cruz. Relacionamentos que envolvam a confissão são ferramentas fundamentais e profiláticas na manutenção de nossa saúde psicológica e espiritual. Portanto, sejamos igreja!

 

Uma das expressões mais profundas do sentimento de Lutero está no hino Castelo Forte que diz: "Que a Palavra ficará, sabemos com certeza, e nada nos assustará, com Cristo por defesa; se temos de perder os filhos bens, mulher, embora a vida vá, por nós Jesus está, e dar-nos-á seu Reino". 

 

Fonte: Michel CM / Alcione Emerich / Extraído